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Balanço do Programa de Educação Ambiental e Saúde 2025/2026

10 de Julho de 2026

Há dezoito anos que o Município de Sines aposta na educação ambiental como ferramenta essencial para a construção de uma comunidade mais informada, participativa e sustentável. O então Programa de Educação Ambiental (PEA), iniciado no ano letivo de 2008/2009 com enfoque na temática dos resíduos, foi crescendo ao longo do tempo, acompanhando os desafios ambientais emergentes e as necessidades da comunidade educativa.

Ao longo deste percurso, milhares de crianças, jovens, docentes e cidadãos participaram em atividades que promoveram o conhecimento, a valorização do património natural e a adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis. Esta evolução permitiu consolidar uma verdadeira cultura de sustentabilidade no concelho, tornando o programa uma referência regional na promoção da literacia ambiental.

Contudo, os desafios atuais exigem uma abordagem cada vez mais integrada. As alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a poluição, os estilos de vida pouco saudáveis e o aumento das doenças associadas a fatores ambientais demonstram que ambiente e saúde são dimensões indissociáveis da qualidade de vida das populações.

Cuidar do ambiente é também cuidar da saúde, porque a qualidade do ar que respiramos, da água que consumimos, dos alimentos que produzimos e dos espaços onde vivemos influencia diretamente o nosso bem-estar físico e mental.

Foi neste contexto que, no ano letivo 2025/2026, o programa evoluiu para Programa de Educação Ambiental e Saúde (PEAS), reforçando a sua missão de sensibilizar, informar e capacitar a comunidade para os desafios do presente e do futuro.

Com uma programação inclusiva e transversal, o PEAS envolveu mais de 2800 participantes de diferentes gerações e contextos sociais, desde o ensino pré-escolar ao ensino secundário, abrangendo igualmente a população sénior, pessoas com incapacidades e a comunidade em geral. Ao longo do ano foram dinamizadas mais de meia centena de atividades, em parceria com mais de três dezenas de entidades locais, regionais e nacionais, incluindo universidades, associações, entidades públicas e organizações da sociedade civil.

A biodiversidade, os ecossistemas costeiros, os recursos marinhos, a geologia, os resíduos, a conservação da natureza, o bem-estar animal e a promoção da saúde continuaram a ocupar um lugar central na programação. Iniciativas como Vamos à Maré?, Litoral Rochoso Alentejano, Coastwatch Portugal, Mar Limpo, Vamos à Lota?, Mel da Costa Vicentina, Plantar Bosques Mediterrânicos, Dunas ComVida, Reciclanda Recria e Cuida do teu Bairro permitiram aproximar os participantes do território, da ciência e da sustentabilidade. Estas atividades promoveram o contacto direto com a natureza, a reutilização de materiais, a valorização da biodiversidade e a participação ativa da comunidade na construção de espaços mais saudáveis e resilientes.

O ano letivo 2025/2026 ficou igualmente marcado pelo reforço da participação da comunidade educativa e das famílias nas ações do programa. Projetos como Cuida do teu Bairro demonstraram que a sustentabilidade se constrói em rede, envolvendo escolas, associações de pais, empresas, instituições e cidadãos. A transformação de pneus recolhidos durante ações de descontaminação da orla costeira em canteiros floridos e espaços lúdicos constitui um exemplo concreto de economia circular aplicada ao território, aliando valorização ambiental, promoção da biodiversidade e melhoria dos espaços escolares.

Paralelamente, a introdução da componente de saúde trouxe novas oportunidades de aprendizagem e reflexão. Temas como a higiene das mãos, a proteção solar, a saúde oral, a alimentação saudável, a anatomia e fisiologia animal, a inclusão, a menopausa e andropausa, ou a promoção do exercício físico e do bem-estar passaram a integrar o programa de forma estruturada, contribuindo para o desenvolvimento de hábitos mais saudáveis e para o aumento da literacia em saúde.

Destaca-se igualmente a forte aposta em metodologias participativas e experienciadas, que colocam os participantes no centro do processo de aprendizagem, promovendo o contacto direto com a natureza, a experimentação, o pensamento crítico, a criatividade e a cidadania ativa. Projetos como a Reciclanda Recria evidenciaram o potencial da arte, da música e do reaproveitamento de materiais como ferramentas de educação ambiental, enquanto iniciativas como Cuida do teu Bairro reforçaram o sentimento de pertença e corresponsabilização da comunidade pelos espaços comuns.

Muitas destas iniciativas contribuíram ainda para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, em áreas como a saúde e bem-estar, educação de qualidade, cidades e comunidades sustentáveis, ação climática e proteção da vida terrestre e marinha.

O balanço do Programa de Educação Ambiental e Saúde 2025/2026 é claramente positivo. A elevada adesão das escolas, o envolvimento dos parceiros e a participação crescente da comunidade demonstram que existe uma procura real por iniciativas que promovam simultaneamente conhecimento, saúde, sustentabilidade e qualidade de vida.

Num território fortemente marcado pela sua ligação ao mar, pela riqueza dos seus ecossistemas e pelos desafios associados ao desenvolvimento sustentável, o PEAS afirma-se como um instrumento estratégico para a formação de cidadãos mais conscientes, informados e comprometidos com o futuro.

Mais do que um conjunto de atividades, o PEAS afirma-se hoje como uma plataforma de mobilização comunitária, onde ambiente, saúde, cultura e educação convergem para formar cidadãos mais conscientes e participativos. A crescente adesão de parceiros, famílias e comunidade demonstra que os desafios da sustentabilidade exigem respostas colaborativas e intergeracionais.

Mais do que transmitir conhecimentos, o Programa de Educação Ambiental e Saúde continua a construir pontes entre ciência, ambiente, saúde e comunidade, afirmando Sines como um território mais resiliente, saudável, sustentável e preparado para os desafios do futuro.

Texto: André Costa (Divisão de Desenvolvimento Económico e Turismo / Ambiente, Conservação da Natureza e Saúde)