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Museu recorda presença italiana no porto de Sines

15 de Outubro de 2025

O Museu de Sines tem patente a exposição "De Alexandre Massai à Condotte d'Acqua - Os Italianos no Porto de Sines".

Da presença romana aos projetos de Alexandre Massai e Filipe Terzi em finais do século XVI, culminando no papel desempenhado pela empresa Condotte na construção do porto de águas profundas, a partir dos anos 70 do século XX, a exposição recorda as marcas profundas que os italianos deixaram no concelho.

A abertura da exposição, no dia 11 de outubro, contou com a presença do embaixador de Itália em Portugal, Claudio Miscia, do presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, do presidente da APS, Pedro do Ó Ramos, e do diretor do Festival Terras sem Sombra, José António Falcão.

Uma presença antiga (texto da exposição)

Desde que os primeiros navios romanos aportaram em Sines para carregar os preparados de peixe que faziam as delícias das mais requintadas mesas da península Itálica, que os laços que nos ligam são uma componente importante da nossa História.

Pontos altos dessa relação foram a presença de técnicos que puseram os seus conhecimentos de vanguarda ao serviço da melhoria dos portos de Sines e do Pessegueiro, com destaque para os finais de Quinhentos, quando o ambicioso projeto de prolongamento artificial da ilha, em que estiveram envolvidos Alexandre Massai e Filipe Terzi, constituiu um espaço de experimentação de vanguarda raro da Europa do tempo.

Para defender o estaleiro, foi necessário construir fortificações modernas, segundo os modelos apurados pelos engenheiros italianos, de que é um bom exemplo o Forte de Santo Alberto que ainda hoje domina a Ilha do Pessegueiro, que apesar de arruinado podemos ver em pormenor no tratado que Massai escreveu em Sines nos últimos anos de sua vida.

A sua ação estendeu-se à Calheta, que durante séculos abrigou as frágeis embarcações de pesca, enquanto os pescadores clamavam por melhores condições de abrigo, especialmente durante os terríveis invernos que os impediam de pescar.

Esse sonho parecia tornar-se realidade em 1971, quando o governo de Marcelo Caetano, no ocaso do Estado Novo, avançou com outro projeto de vanguarda, desta vez à escala colossal do século XX. Mas a realidade económica que este porto veio servir era bem diferente. Tratava-se de receber a indústria pesada e as fontes de energia que a rápida modernização do país impunha, num porto de águas profundas capaz de receber os maiores navios da época.

O concurso internacional para esta gigantesca empreitada foi ganho por uma das maiores firmas do ramo, com cede em Itália, a Condotte d’Acqua. Uma centena de técnicos especializados, vindos de Itália, trabalhou ao lado de mais de um milhar de portugueses, o que deixou profundas marcas em Sines que esta exposição pretende evocar, servindo de base a um projeto de investigação que procurará registar as memórias desta presença fundamental na criação da identidade local contemporânea.

O apoio da embaixada de Itália à concretização desta exposição permitiu a apresentação dos textos nas duas línguas, destacando outro dos muitos pontos que nos unem.