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OUTside(CAS) // 28 de setembro a 4 de outubro // Miguel Ângelo Rocha

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21 de Setembro de 2020

O Centro de Artes de Sines, através do Serviço Educativo e Cultural, promove o OUTside(CAS), projeto de mediação da exposição “Público/Privado - Doce Calma ou Violência Doméstica?”, patente até 18 de outubro de 2020. 

13.ª semana - 28 de setembro a 4 de outubro

Galeria principal (piso 1) - A necessidade de privacidade é nesta galeria apresentada de maneiras distintas, mas com um elemento comum: a cama. A doença, a morte e o hospital (ou o hospício) podem ser entendidos como algo particular e íntimo. Limitado ou finito.

ARTISTA DA SEMANA: Miguel Ângelo Rocha

(Lisboa, 1964) vive e trabalha em Nova Iorque e Lisboa. É formado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1992). Entre 1994 e 1996, fez o Master of Fine Arts, na School of Visual Arts de Nova Iorque. Em 2002, ingressa como assistente na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa.
Independentemente de trabalhar com desenho, escultura ou instalação, podemos entender a sua obra numa zona de cruzamento e debate entre a arte conceptual, o minimalismo e o abstracionismo. A sua prática artística é possibilitada e é herdeira de uma conceção de arte «desmaterializada», seguindo a intuição fundamental de Lucy Lippard, e, por outro lado, todo o seu trabalho se decide, se resolve e se encontra nos próprios objetos: é no confronto com a matéria, o gesto e o pensamento tornado coisa que se pode entender a ambição da sua obra.
Expõe com regularidade desde 1991 e, desde 1994, reside em Nova Iorque e em Lisboa. Realizou várias exposições individuais e colectivas no Museu do Chiado, em Lisboa; na Galeria Laure Genillard, em Londres; na Frieda and Roy Furman Gallery, Walter Reade Theater at Lincoln Center, em Nova Iorque; no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra; na Módulo – Centro Difusor de Arte, em Lisboa; no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa; na Galeria Miguel Nabinho, em Lisboa, entre outras. As suas obras estão representadas nas colecções Fundação de Serralves, Museu do Chiado, Fundação Carmona e Costa, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, entre outras.

Curiosidades: 

Miguel Ângelo Rocha em entrevista:

"grande do processo está focada no ver. O trabalho de ver é o mais difícil, porque há sempre coisas que vêm connosco à priori. Nós temos uma tendência para tentar reconhecer sempre qualquer coisa. De uma forma geral, se assim se pode dizer, a tendência é as pessoas ficarem um bocado aflitas se não reconhecem as coisas. Às vezes as pessoas perguntam "é uma escultura, mas o que é?" Eu espero que baste ser uma escultura.

[...]

Pode dizer-se que as obras são intemporais, mas não podem é ser dissociadas do seu tempo, têm que ter o seu tempo. Sendo arte elas apontam para qualquer coisa, não são propriamente uma verificação de um estado de coisas, de um status quo, do banal. É uma manifestação que contém em si a ideia de... liberdade. Tem a ver com isso. Portanto, não é uma coisa que vá ser sempre reconhecida, mas está nessa espécie de sintonia com um determinado tempo, com um determinado momento. Conseguir fazer algo que tem a ver com a expressão dessa sintonia e desse sentido de liberdade é muito difícil. De algum modo, a multiplicidade, a simultaneidade de propostas que podem ser múltiplas, é qualquer coisa que tem muito a ver com os tempos de hoje também."
A tal resistência que a arte deve ser também é sentida como tal.

[...]

Além disso, eu não consigo estar no mesmo sítio. Há sempre uma necessidade de ir para outras direcções e é por isso também que o meu trabalho abarca muitas coisas. Agora estou a lembrar-me do Marcel Duchamp, naquela conversa com Calvin Tompkins, onde diz que só fez não sei quantos Readymades porque, primeiro, não eram assim tão fáceis, e depois porque não podiam ser muitos, não podia fazer daquilo marketing, senão o sentido perdia-se todo. Não podia haver repetições, perdia-se a coerência. A coerência muitas vezes é confundida com repetição. Primeiro tem que haver um sentido, afirmar-se como arte, ser capaz de ser uma expressão disso, de convocar a experiência nossa do mundo. Ser uma coisa que quase contraria as noções que nós criámos de que somos imperfeitos e que morremos, noções de imperfeição/perfeição (se calhar é muito a mesma coisa). Parece que estes objectos nos transcendem. É isso que eu penso que é o sentido da arte: qualquer coisa que sendo feita por nós parece que contém uma noção de perfeição. Já tivémos, decerto, essa experiência quando perante um Caravaggio ou um Matisse, pois aquilo toca-nos, é arrepiante, e pensamos "isto foi feito por um homem, uma mulher, um ser humano!" Sentimos, então, que parece que há um sentido na vida."

Entrevista completa: https://www.artecapital.net/snapshot-30-miguel-angelo-rocha 

 
OBRAS DA SEMANA

Malas e ossos

Miguel Ângelo Rocha

Malas e Ossos, 2009

Malas encontradas, jornais, contraplacado marítimo, tinta acrílica, ossos.

Cortesia: Coleção António Cachola

Nota: Obra presente na Ala 2 mas que dialoga com as restantes do mesmo autor.

Cristal II

Miguel Ângelo Rocha

Cristal II, 1999

Pão, resina, poliéster, lona, fibra de algodão

Cortesia: Colecção Luís Sáragga Leal

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Miguel Ângelo Rocha

Sem título, 1995

Lona, tinta de esmalte, cabo de aço, madeira, gesso, pigmento, ferro galvanizado

Colecção particular, Coimbra

Cortesia: Galeria Sete- Arte Contemporânea

 

DESAFIO DA SEMANA

Conceitos chave: eu/sujeito, vida/ linha da vida, quarto , cama, privado, intimidade e recolhimento

Desafio: efetuar uma ou mais associações entre um dos conceitos chave e um objeto, uma paisagem, uma música, uma obra ou um texto.

Proceder à sua escolha, registo e partilhá-lo.

Nós deixamos aqui o nosso contributo.

Conceitos selecionados: Vida, intimidade e recolhimento.

Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio

https://www.youtube.com/watch?v=0iewd3kBRIc&list=FLeXg6pb4G6ogeq4N2kpzuRQ&index=1184 

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