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Santa Casa lança livro comemorativo dos 500 anos

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24 de Fevereiro de 2016

A Santa Casa da Misericórdia de Sines lançou no dia 20 de fevereiro, no seu salão social, um livro dedicado à história da instituição. O lançamento do livro marcou o arranque das comemorações dos 500 anos da Santa Casa, que se assinalam em 2016.

“Santa Casa da Misericórdia de Sines: 500 anos de história de uma instituição” é um volume de 431 páginas que regista o percurso de uma das mais antigas misericórdias do país. Foi escrito por Sandra Patrício, responsável do Arquivo Municipal de Sines, com a colaboração de Ricardo Pereira, responsável do Museu de Sines, e de José António Falcão, diretor do Departamento de Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (que também assinou o prefácio).

Na cerimónia de lançamento, o provedor da instituição, Luís Venturinha, descreveu o livro como uma narrativa que ajuda a divulgar a história da Santa Casa à população e entidades e testemunha o orgulho no seu passado. Para Jorge Ruas, presidente da Assembleia Geral, é uma homenagem a todos os que ao longo de 500 anos contribuíram para a Santa Casa da Misericórdia de Sines.

Os convidados da Santa Casa na cerimónia louvaram a sua capacidade de modernização e adaptação (presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas), a sua dedicação ao trabalho social (Manuel de Lemos, presidente do secretariado da União das Misericórdias) e a sua preocupação em dar resposta às necessidades do meio (bispo de Beja, D. Vitalino Dantas).

O governo fez-se representar pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade. Catarina Marcelino disse que o novo livro constitui uma oportunidade para as novas gerações conhecerem a memória da Santa Casa e elogiou a instituição por continuar a crescer e a desenvolver-se.

Secretária de Estado Catarina Marcelino

3 perguntas à autora, Sandra Patrício

P: Quais os principais desafios com que se deparou na investigação deste livro?
R: A Santa Casa da Misericórdia de Sines, apesar dos seus 500 anos, apenas dispõe de documentação sistemática a partir da década de 80 do século XX. São exceções livros de atas da direção e da assembleia no século XX, registos de óbito do hospital e registos de propriedade no século XIX. Acabei por fazer a reconstituição de um arquivo inexistente a partir de documentos existentes noutras entidades com as quais a Santa Casa se relacionou. Este é um caso exemplar de cripto-arquivística, em que a partir dos fragmentos que ficaram se procurou ter um vislumbre do todo. Esta investigação reforçou a minha convicção de que o património arquivístico é um bem coletivo, e nele se encontra o fundamento para a história e para a identidade das instituições e das comunidades. A sua conservação e divulgação são imperativos cívicos.

Historicamente, como situa a Misericórdia de Sines no contexto das misericórdias em Portugal?
A Misericórdia de Sines é uma das mais antigas do país, data do século XVI, isto apesar de não podermos atribuir uma data de fundação exata. O ano de 1516, o ano da publicação do segundo compromisso da Misericórdia de Lisboa, já faz parte da identidade da congénere de Sines, mesmo que não o possamos comprovar. A Santa Casa da Misericórdia de Sines, especialmente a partir do século XIX, apostou na assistência em detrimento do culto religioso, dirigindo as suas receitas especialmente para o Hospital. Este é um ponto de distinção em relação a outras misericórdias no mesmo período. Até à sua nacionalização, depois do 25 de Abril de 1974, o hospital foi central para a identidade da instituição.

Que descobertas ou novos conhecimentos surgidos neste trabalho destaca?
Foi interessante ter um vislumbre da história social de Sines durante estes 500 anos. A Misericórdia estava presente em todas as esferas sociais, quer entre as elites, de onde provinham as suas direções, quer entre os mais desprotegidos, como os escravos e as mulheres e, já nos séculos XIX e XX, entre os operários e os pescadores. Ao estudá-la, apercebemo-nos da existência de múltiplos grupos sociais que com ela se relacionaram e que mostram que esta pequena comunidade que foi Sines durante a maior parte da sua história, foi dinâmica e capaz de se reinventar ao longo do tempo. Um dos exemplos foi a Misericórdia de Sines, que, perdido o Hospital, diversificou a sua atividade e alargou-a a toda a comunidade.

Autora do livro, Sandra Patrício