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Presença africana em Sines

Vista de una casa de calderas
Escravatura em Sines

Várias fontes nos arquivos nacionais referem-se à presença de escravos em Sines desde o século XVI. A posse de escravos estava generalizada entre a população, mas era especialmente nas elites militares, religiosas e económicas que se encontravam os maiores proprietários. Eram utilizados nas mais variadas atividades económicas, como a estiva, a agricultura, o serviço doméstico ou o comércio. Os escravos poderiam trabalhar diretamente para os seus proprietários, ou alugados a terceiros ou a trabalhar por conta própria, e, como tal, deviam ceder aos donos uma fração do que recebessem.

Os dados relativos à primeira metade do século XVII em Sines apontam para 4% de população escrava no total dos óbitos. Este número é compatível com o cálculo da população escrava em Portugal no mesmo período.

Era o exercício de um ofício que permitia a integração do escravo ou do liberto na sociedade, face à animosidade e ao preconceito que foi sendo criado em relação aos negros. Considerava-se que tinham vícios como o alcoolismo, a violência, o roubo e a fuga aos donos. A sua integração foi lenta e tortuosa, e dele restam vestígios pouco conhecidos do público.

Um deles, em Sines, é a imagem de São Benedito, que pode ser admirada na Igreja de Nossa Senhora das Salas. São Benedito (1524-1589), também conhecido como o Mouro, nasceu em Itália, filho de escravos. Tornou-se rapidamente um dos patronos da população escrava e liberta durante a Época Moderna.

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Legenda: Vista de una Casa de Caldeiras
Crédito: http://slaveryandremembrance.org/articles/article/?id=A0091