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Manuel da Costa Lobo: «Sines é um caso único entre casos únicos» 



DIA 9 de Julho, no Centro de Artes, o coordenador geral da revisão do PDM, Manuel da Costa Lobo, deu a sua visão sobre o que é realizar um plano deste tipo no início do século XXI e sobre a experiência única que é fazê-lo num concelho como Sines.

“Para um profissional, Sines é um território excepcional. É atractivo pensar em Sines. Sines é um caso único entre casos únicos. É um concelho de grande variedade. Concentra-se aqui a variedade do país: há elementos de norte, de sul, planície, serra… E depois aquele espaço que tem sido esquecido em todos os planos: o mar. Mar é território”.

Sobre a natureza do trabalho a realizar, o professor do Instituto Superior Técnico notou: “São os eleitos da população que definem as escolhas, as pedras do PDM. Nós, os técnicos, apenas lhes colocamos a argamassa, para que fiquem mais sólidas”.

A participação dos cidadãos é fundamental: “Temos de trabalhar cada vez mais no sentido da participação e do envolvimento, que tem de ser factível, prática e não demagógica”.

Manuel da Costa Lobo associa planeamento a democracia. Planear é, no seu entender, “a forma democrática de olhar para o futuro”. E conseguir planear para os futuros - o futuro a curto-prazo (5 anos), mas também a muito longo prazo (40 anos) - é fundamental para um verdadeiro desenvolvimento sustentado.

Afirmando que um plano deve ser entendido em todas as escalas - do vizinho, do concelho, da região, do país e do mundo - o professor do IST assinalou algumas diferenças fundamentais sobre o modo como se encarava este trabalho quando o plano em vigor foi elaborado e como se encara agora. “Ficou mais claro que o plano é um processo, não uma peça que fica desenhada e se põe numa estante. E tem de ser uma síntese, o que não se consegue simplesmente pela adição das diferentes participações. O planeamento também não deve ter como intenção ser um colete-de-forças. A principal preocupação deve ser conferir a maior liberdade. Temos de controlar porquê? Porque as pessoas não podem ter liberdade à custa da liberdade dos outros. Temos de garantir liberdade para todos. Isso obriga a disciplina, a muito equilíbrio nas soluções.”

Texto publicado no jornal municipal Sineense #54 (Junho / Setembro 2007)

 
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