2008.03.17. A PRIMEIRA do conjunto de sessões temáticas organizadas pela Câmara Municipal para fomentar a participação de público nos trabalhos de revisão do PDM teve lugar no dia 11 de Fevereiro, nos Paços do Concelho, e debruçou-se sobre o turismo e a sua relação com o território e a economia.
Com uma área portuária-industrial, mercado potencial de um turismo de negócios, e, sobretudo, uma costa sul muito bela e preservada, Sines coloca elevadas expectativas neste sector.
Manuel Coelho, presidente da Câmara Municipal de Sines, reconheceu na sessão que o “turismo em Sines é ainda uma actividade limitada”, mas que o sector poderá tornar-se no futuro “extremamente importante do ponto de vista económico e social”. Boas acessibilidades, redução dos impactes negativos da actividade industrial e portuária no ambiente e bons equipamentos urbanos, em particular na área da saúde, são, para o autarca, condições do desenvolvimento do turismo em Sines.
“A galinha dos ovos de ouro”
Manuel da Costa Lobo, o professor do Instituto Superior Técnico que coordena a revisão do plano, lembrou que o turismo é um dos casos em que se colocam sobre a mesa interesses muito diferentes. Não podendo o plano satisfazer todos, diz o responsável, a função do plano é “encontrar a síntese colectiva”.
Assumindo a paisagem como principal riqueza turística do concelho, os locais passíveis de instalação de empreendimentos no PDM têm, para o professor, de ser pequenos, porque, caso contrário, corre-se o risco de “matar a galinha dos ovos de ouro”.
Trunfos e debilidades
A apresentação em torno da qual a discussão se realizou foi conduzida pelo consultor do PDM para esta área, Manuel Reis Ferreira, do Departamento de Gestão Turística e Cultural do Instituto Politécnico de Tomar. A sua intervenção centrou-se no Alentejo Litoral, apontado no Plano Estratégico Nacional de Turismo como um dos seis pólos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em Portugal. Para Reis Ferreira, “vale a pena apostar na marca Alentejo Litoral e na gestão unificada do destino”. Quanto ao concelho de Sines, apesar da sua notoriedade e peculiaridades, é difícil, sozinho, sustentar uma marca.
E o que tem o Alentejo Litoral e Sines de especial para oferecer? Para o consultor do PDM para área do turismo a resposta é “diversidade concentrada”: campo, mar e ambientes urbanos a poucos quilómetros.
É este o principal trunfo da sub-região, mas também o são a paisagem preservada, a proximidade da Área Metropolitana de Lisboa e da Extremadura espanhola, a gastronomia, a autenticidade e património cultural, o perfil acolhedor da sua população e o capital de imagem e reconhecimento de que já dispõe.
Constituem debilidades, entre outras, as acessibilidades internas e regionais, os alojamentos e recursos humanos escassos e pouco preparados, o desenvolvimento ainda incipiente da rede de actividades de lazer e animação turística e, no caso de Sines, para o turismo de natureza, a densidade industrial e portuária.
Turismo vs. indústria
As relações, de benefício e prejuízo, que a actividade turística e a actividade turística podem ter em Sines, foram, aliás, um dos primeiros temas suscitado pelas intervenções do público no período de debate.
Reis Ferreira disse tratar-se uma questão de perdas e ganhos. “A indústria não favorece o turismo de natureza, mas há outras formas de turismo - como o turismo de negócios, o golfe e a restauração - que pode beneficiar da procura específica associada à plataforma portuária e industrial”, afirmou.
Para o presidente da Câmara, Manuel Coelho, “indústria, portos e logística são uma realidade do município” e a autarquia deve enfrentar o desafio de articulá-los com os outros eixos do desenvolvimento de Sines, o turismo e a pesca. A orientação da expansão industrial, em cunha, para leste, e a deslocalização da ETAR da Ribeira dos Moinhos, abrindo caminho à criação de uma ecoparque naquela zona de grande riqueza ecológica, são duas medidas defendidas pelo autarca em prol do ambiente e do turismo.
Cidade e Porto Covo
A zona sul do concelho com maior potencial turístico, Porto Covo e toda a sua envolvente balnear e natural, mereceu atenção particular.
Várias intervenções invocaram, directa ou indirectamente, a tensão que existe entre a expansão turística e as restrições ao uso do solo decorrentes da pertença a um parque natural, mas Manuel Reis Ferreira lembrou que é o Plano Regional de Ordenamento do Território e não tanto o PDM que poderá suscitar avanços nessa questão.
Para Porto Covo, Manuel Coelho defendeu um modelo de desenvolvimento turístico com “equipamentos hoteleiros e de lazer de qualidade” e considerou a obra do art.º 47.º (em curso) e uma futura reconversão de toda a zona do portinho como intervenções decisivas para a valorização da aldeia.
Carlos Silva, vereador do Partido Socialista, afirmou, por seu turno, que “o turismo em Sines não pode dispensar a cidade”, que deve ter “maior mobilidade”, ser “mais agradável” e prestar “melhores serviços”.
Manuel Coelho disse que o executivo que lidera procura o “desenvolvimento de uma cidade cuidada” mas também que ainda há margem de progressão nessa matéria, lembrando a requalificação da Avenida Vasco da Gama e marginal a norte da cidade como um dos projectos planeados com essa finalidade.
Uma via turística que percorra toda a sub-região, proposta no âmbito do Plano de Acção do Litoral Alentejano, uma ecovia também de atravessamento de todo o Alentejo Litoral (em candidatura ao QREN) e o centro de desportos náuticos planeado pelo município para a zona de São Torpes foram outros projectos citados pelo autarca para a dinamização da actividade turística.