CELTAS
A presença celta em Sines é uma hipótese colocada pelo historiador Arnaldo Soledade.
Na viragem para o último milénio antes de Cristo, os Celtas impõem-se aos indígenas do bronze com o "fogo" do ferro. No sudoeste da península fixa-se a tribo que Avieno, no século IV d. C., identifica como Cinetos. Podem ser, para Arnaldo Soledade, os primeiros antepassados civilizados de Sines; podem ser os bisavós que lhe deram o nome: Cinetos - Cines - Sines.
A fisionomia dessa tribo está mal delineada. Arnaldo Soledade coloca a hipótese de terem construído um castro onde é hoje o castelo.
PÚNICOS
Mais nítida é a marca deixada por outro povo pré-clássico - os Púnicos, ou fenícios de Cartago - que aponta para a relevância comercial desta zona mesmo antes da chegada dos Romanos.
Tesouro do Gaio
Em 1966, é achado o vestígio mais espetacular da colónia que os Púnicos estabelecem em Sines: o Tesouro do Gaio.
Num dia de maio, Francisco da Silva Campos está na sua herdade [Herdade do Gaio, a 12,5km a sueste de Sines, a 7km do litoral, a 275m da Ribeira de Morgavel] a lavrar um terreno para fazer uma horta de milho. A certa altura, a charrua tropeça numas lajes de pedra e revela uma sepultura enrolada no saibro. A extensão do espólio dessa primeira caixa de xisto - contas de materiais preciosos, sobretudo - promete a existência de um grande tesouro enterrado no Gaio.
É achado um bom conjunto de joias de mulher. Em 1966 e 1967, o terreno é sondado por José Miguel da Costa. São encontradas sepulturas vazias, o que indica que terá havido pilhagens ao longo dos séculos.
A partir das afinidades com o tesouro de Aliseda, classifica-se o conjunto do Gaio na matriz tartéssico-púnica e estabelece-se o século VII AC como datação provável. As peças são feitas em ouro, prata, marfim e em materiais menos nobres a que é dado uma confeção "preciosa" - como o belo azul translúcido obtido no vidro do unguentário em forma de ânfora. A impressão do luxo é dada pela quantidade das contas e pingentes e pela filigrana das arrecadas e da gargantilha de ouro (na foto), peças centrais do espólio.

O tesouro é púnico, mas a simbologia é egípcia. Nas arrecadas está figurada a deusa Hathor. No sinete de marfim, amuleto que pertencia a um anel, está gravado em relevo o escaravelho de Tutmosis III, com o olho de Horus - deus-sol, que protegia o nascimento das crianças.
O Tesouro do Gaio pode ser visto atualmente no Museu de Sines.
Porto púnico na Ilha do Pessegueiro
Na Ilha do Pessegueiro - designada de Poetanion na "Ora Marítima", de Avieno - foram encontrados alguns materiais ibero-púnicos quando Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares desenvolveram as pesquisas arqueológicas sobre o porto romano.
A ocupação dos Romanos destruiu quase todos os vestígios da Idade do Ferro, mas restou o suficiente para os investigadores traçarem uma malha de hipóteses sobre a utilização portuária da ilha pelos púnicos.
FONTES DE INFORMAÇÃO
Sobre os Cinetos, deve ser consultado o livro "Sines Terra de Vasco da Gama", de Arnaldo Soledade, o historiador que coloca a hipótese da presença de Celtas em Sines. Sobre os Púnicos, para além do texto de José Miguel da Costa, "O Tesouro Púnico Tartéssico do Gaio", deve ler-se "Ilha do Pessegueiro - Porto Romano", de Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares.