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Al Berto (1948-1997) 
 



Al Berto

Sines foi casa de Al Berto, um dos maiores poetas e uma das mais influentes figuras da literatura portuguesa da segunda metade do século XX.

 

Parte pintor para a Bélgica


Alberto Raposo Pidwell Tavares nasce em Coimbra no dia 11 de janeiro de 1948, mas, apenas com um ano, vem viver para Sines, onde cresce, no seio de uma família com raízes inglesas.


Al Berto

São a escultura e a pintura que primeiro o atraem. Frequenta a Escola António Arroio e a Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Aos 19 anos, à procura de horizontes mais largos, inscreve-se no curso de pintura monumental da École Nationale Supérieure d'Architecture et des Arts Visuels - La Cambre, em Bruxelas, para onde vai viver.

Regressa poeta a Portugal

 

Em apenas alguns anos na Bélgica, a sua criatividade começa a transitar das artes plásticas para o texto. Embora a pintura continue a interessá-lo (escreverá sobre artes plásticas em diferentes ocasiões), decide abandoná-la, como artista, em 1971, durante uma estada na cidade de Barcelona.

Em novembro de 1975, volta a Sines, onde escreve o seu primeiro livro inteiramente em português, “À procura do vento num jardim d'agosto”, publicado em 1977.


Anos 80

 

A década e meia seguinte é passada entre Sines e Lisboa, repartindo o tempo dedicado à poesia com atividades como as de editor, de livreiro e de animador cultural. Foi nestas funções que trabalhou na Câmara Municipal de Sines e dirigiu o Centro Cultural Emmerico Nunes, na década de 80.

Na foto, podemos vê-lo com Lídia Jorge, numa das iniciativas promovidas no CCEN.

Al Berto

 

Sobre a Sines industrial que encontra no seu regresso da Bélgica, tão diferente da que abandonara em 1967, publica, em 1980, “Mar-de-leva / Sete textos dedicados à vila de Sines”.

 

A consagração como grande poeta português surge com o lançamento da antologia da sua poesia, “O Medo”, que lhe vale o Prémio Pen Clube em 1987.

 

“Horto de Incêndio” (Assírio & Alvim), é o seu último livro, editado em 1997.

 

Morre, de linfoma, no dia 13 de junho desse mesmo ano.

 

Memória viva

 

A memória e obra de Al Berto têm sido evocadas e reinventadas com grande frequência.


Os alunos da Escola Secundária de Sines escolheram-no como patrono.


A sua produção criativa saiu em novas edições, inclusivamente a visual, com a publicação pela Assírio & Alvim do seu livro de desenhos “Project 69”.


Todas as artes têm estado envolvidas nesta vida renovada de Al Berto.

Exposições de homenagem (como as que o Centro Cultural Emmerico Nunes tem promovido ao longo dos anos), projetos de artes de palco (como os criados pelo Teatro do Mar), e até agrupamentos musicais, como Wordsong, enriqueceram Al Berto de leituras.


Desde 2006, com o título “Eis-me acordado muito tempo antes de mim”, a biografia escrita pela romena Golgona Anghel permite-nos conhecer melhor o que foi o seu percurso artístico e a sua vida.

Fotos: A foto do topo da página é da autoria de Paulo Nozolino e fez a capa da primeira edição d'"O Medo". Os créditos das restantes fotos, cedidas pelo Centro Cultural Emmerico Nunes, são desconhecidos.

 

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